quinta-feira, 23 de outubro de 2008

'Quase sem querer'

  • Hoje resolvi transcrever algo que há tempos percebi e venho sentindo: a minha, nesse instante extremamente necessária, vontade de escrever. A escrita em minha vida é muito comum, desde muito cedo, portanto deveria ser mais fácil. Também acho, é o que desejo constantemente. "Saia, saia de mim, idéia. Fique no papel ou em algum espaço cibernético". Mas não é assim. Se fosse, a maioria dos escritores não seriam considerados pessoas tristes, solitárias, suicidas e tudo o mais que lhes atribuem. Não que eu esteja me considerando uma escritora, dessas profissionais, talentosas e mantidas em suas paranóicas invenções artísticas. Não. Apenas digo que entendo-as. Sei exatamente a dificuldade que muitas vezes se torna pegar uma caneta e colocar o que se pensa no papel em branco. Posso dizer, álias, que quando as palavras resolvem escapar e se fazer aparentes isso é totalmente natural. Rapidamente, os contornos esferográficos vão dizendo aquilo que a alma de alguém criou, com sofrimento, paixão ou esperança. O que estou sentindo agora não é isso, definitivamente. É aquela dificuldade em se registrar idéias que há tanto estão guardadas, que não saem como imagens já codificadas, que precisam de um bom estado de espírito para surgirem. Mas não sou uma escritora, dessas profissionais e talentosas. Então, talvez isso seja mais justificável.
  • Esse post nada mais é do que uma declaração, a mim mesma e a quem se interessar, de que os sentimentos presentes em minha vida no momento, me propiciam de forma pura e honesta, trazer a escrita à tona. Seria mentira dizer que foi fácil decidir sentar pra colocar tudo em folhas limpas. Mas sutilmente sinto que conseguirei após a maior de minhas abstinências criativas fazer o que mais amo na vida. Escrever, escrever, escrever, escrever... aquilo que já foi inventado, que já está guardado em mim, só esperando o momento de se tornar público. E não estou falando desse post, de matérias em jornais universitários ou qualquer outro espaço. Hoje, as palavras voltam a tornam-se públicas em seus mundos que criei, em seus conflitos que tanto pensei e que hoje conseguirei espalhar. Entre elas, tão belas, algumas não tanto, mas ricas em um nível que só eu posso medir, saborear, desfrutar. Acredito que todos tenham seu talento, dom ou sonho. E que dessa forma todos possam entender o que sinto em relação às minhas estórias. Caso não haja talento ou dom aparente, o sonho sempre existirá e buscá-lo fará com que as outras coisas apareçam. Por fim, agradeço a vida - por mais sentimental e controverso que tal agradecimento pareça - por me possibilitar nesse momento entrar em contato com meu universo paralelo. O universo que tanto me faz bem. Pois sim, se eu fosse uma escritora, dessas profissionais e talentosas, dificilmente seria conhecida como a suicida, a triste, a solitária, mas como aquela que precisa de dias nublados, floridos e então felizes, para ser apenas ela mesma, em sua felicidade pequena e marota, mas feliz.
Uma música que representa, exatamente, um estado de espírito pré-criação:

Tenho andado distraído, impaciente e indeciso e ainda estou confuso.
Só que agora é diferente: estou tão tranquilo e tão contente.
Quantas chances desperdicei
Quando o que eu mais queria era provar pra todo o mundo,
que eu não precisava provar nada p'ra ninguém.
(...)
Como um anjo caído, fiz questão de esquecer
Que mentir p'ra si mesmo é sempre a pior mentira.
Mas não sou mais tão criança a ponto de saber tudo.
Já não me preocupo se eu não sei porquê.
Às vezes o que eu vejo quase ninguém vê.
(...)
Tão correto e tão bonito, o infinito é realmente um dos deuses mais lindos.
Sei que às vezes uso palavras repetidas
Mas quais são as palavras que nunca são ditas?
(...)

Renato Russo.

  • Terminarei a partir de agora meu filho favorito, ele que desejo conceber há tempos. Ah, como é bom ser mãe de roteiros!

Um comentário:

Anônimo disse...

... sem querer, você é espetacular menina.

Não serei repetitiva dizendo novamente o quão admiro todo seu talento, sua facilidade com as palavras.


Continue sempre assim, forte, persistente.
E pode acreditar: não está longe de você ser uma escritora, dessas profissionais e talentosas.

Beijo abiga,